Évora em Nós

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Embrulhos da manhã de 25

São 10h 47m da manhã de 25 de Dezembro de 2006. Tempos de Natal...
Ainda no milénio anterior, quando os anos começavam com 19, este era um dia de magia que me entrava pela janela da cozinha em forma de raios de sol a incidirem exactamente no meu sapatinho, repleto das mais fantásticas e coloridas prendas. Por essas alturas, ao contrário do que hoje acontece, uma vez que me acabei de levantar, o dia já ia longo. Não se podia perder tempo embrulhada nos lençóis, quando havia tanto para desembrulhar lá fora. Depois da confusão montada, eu tentava sair do meio dos papéis de embrulho, com todas as minhas prendas agarradas por mil mãos e começava o périplo pelas casas vizinhas... "avó, olha as minhas prendas", "Avô olha só a barbie que eu ganhei", "tia, olha a minha nintendo com o super mario bros". Um destes anos, começados por 19, ganhei a prenda mais inesquecível de todas: a minha figueira, plantada com o meu avô, que tinha perdido todas as suas folhas, numa atrocidade outunal, voltava a carregar-se mas desta vez de chocolates: chapéus de chuva, pais natais, pinhas... tudo embrulhado em platina de corres berrantes. Foi a minha melhor prenda, sem dúvida.

Hoje, o que tenho embrulhado é o coração. É um desespero natalício, de uma quadra que existe hoje para me lembrar o quanto eu foi feliz com ela no passado... E por pura maldade insiste em mostrar-me que isso não volta mais!

Sabem, acredito sempre que o melhor há-de vir, sou uma optismista por natureza, por mais que esse optismo, de quando em vez, se misture com algum dramatismo. Mas hoje apetece-me chorar muito, apetecia-me ter a capacidade de pôr tudo o que sinto cá para fora, só para me tentar livrar desta angústia e começar nesta manhã de 25, um dia novo. Bem sei que não o consigo. Bem que gostava de hoje vos conseguir escrever coisas boas e natalícias, porque é bem melhor partilhar coisas boas do que bocados maus do nosso Ser.

Prometo que um dia destes, numa nova manhã, vos compenso.

Beijinhos embrulhados num feliz natal adiado.

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